Após as atualizações no Padrão de Produção e na Cadeia de Custódia, a Bonsucro promoveu uma revisão profunda do Protocolo de Certificação v7.
Entre todos os documentos normativos, este foi o que apresentou as mudanças mais estruturais. O foco deixou de ser apenas operacional e passou a ser claramente voltado para governança, consistência de auditorias e integridade do sistema de certificação.
Este artigo revisa os principais pontos da v7 e seus impactos para produtores, usinas e organismos certificadores.
O que é o Protocolo de Certificação?
O Protocolo de Certificação não define critérios técnicos de sustentabilidade. Ele estabelece:
- Regras para auditorias;
- Responsabilidades dos organismos certificadores;
- Procedimentos de concessão, manutenção e suspensão de certificados;
- Tratamento de não conformidades;
- Requisitos de competência de auditores.
Em síntese, ele determina como a certificação deve ser aplicada e controlada.

O que mudou na versão 7?
A v.7 trouxe ajustes relevantes em quatro frentes principais:
1. Maior padronização das auditorias
A versão 7 reduz margem interpretativa ao:
- Refinar critérios de amostragem;
- Estabelecer regras mais claras para auditorias anunciadas e não anunciadas;
- Definir melhor o escopo de avaliação para grupos de produtores.
O objetivo é aumentar consistência global e reduzir variações entre certificadoras.
2. Regras mais claras para não conformidades
A v.7 aprimora a classificação e o tratamento de não conformidades:
- Prazos mais objetivos para correção;
- Critérios mais claros para suspensão ou retirada de certificado;
- Maior rigor em casos de reincidência.
Isso fortalece a credibilidade do sistema e reduz risco reputacional.
3. Reforço na competência dos auditores
A atualização também impacta os organismos certificadores:
- Exigências mais detalhadas de qualificação técnica;
- Critérios claros de independência;
- Regras para gestão de conflitos de interesse.
A certificação passa a depender ainda mais da qualidade técnica da auditoria.
4. Mais transparência e rastreabilidade do processo
O protocolo v7 reforça:
- Registros formais de decisões de certificação;
- Documentação estruturada de evidências;
- Maior controle sobre relatórios e escopos auditados.
Isso aumenta previsibilidade para empresas certificadas e para o mercado.
Impactos práticos para empresas certificadas
Para produtores e usinas, os principais reflexos são:
- Auditorias potencialmente mais detalhadas;
- Maior exigência de organização documental;
- Menor tolerância a inconsistências recorrentes;
- Necessidade de maturidade em governança interna.
Empresas com sistemas de gestão estruturados tendem a se adaptar com menor impacto.
O que isso sinaliza ao mercado?
A atualização do Protocolo de Certificação v7 indica um movimento claro: A Bonsucro está reforçando a integridade institucional do sistema.
Não se trata apenas de atualizar critérios técnicos, mas de fortalecer: credibilidade internacional, robustez das auditorias e confiabilidade das informações certificadas. Em um ambiente global cada vez mais sensível a riscos ESG e greenwashing, esse reforço institucional é estratégico.
Considerações finais
O Protocolo de Certificação v.7 consolida uma evolução importante na governança do sistema Bonsucro.
Enquanto o Padrão de Produção e a Cadeia de Custódia focam em desempenho e rastreabilidade, o Protocolo v.7 garante que todo o processo seja aplicado com rigor, consistência e transparência.
Para empresas certificadas, o recado é claro: conformidade técnica continua essencial, mas governança e organização interna passaram a ser igualmente determinantes.
Resumo das principais mudanças
A versão 7 trouxe maior rigor e clareza na aplicação da certificação.
Escopo mais definido
O certificado deve indicar de forma precisa:
– Tipo de entidade certificada;
– Atividades cobertas;
– Produtos incluídos;
– Tipo de certificação (Produção, Cadeia de Custódia ou ambos).
Isso reduz ambiguidades e fortalece a rastreabilidade.
Auditoria baseada em risco
O histórico da empresa, complexidade operacional e reincidências passam a influenciar a profundidade das auditorias.
Não conformidades e prazos mais objetivos
A classificação foi estruturada com maior clareza, e há maior rigor em casos de reincidência, podendo resultar em suspensão do certificado.
Processo mais independente e transparente
Há reforço na separação entre auditoria, revisão técnica e decisão de certificação.
Monitoramento contínuo
A certificação passa a ser tratada como processo permanente, com maior peso ao histórico da organização.
Em síntese, a v7 fortalece a governança e a integridade do sistema, elevando o nível de exigência institucional das empresas certificadas.
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