CBAM: valores reais ou valores padrão? Entenda os impactos para exportadores

Com a proximidade da fase definitiva do Mecanismo de Ajuste de Carbono nas Fronteiras (CBAM), empresas que exportam para a União Europeia passam a enfrentar uma decisão que pode influenciar seus custos e sua competitividade: declarar as emissões incorporadas utilizando valores padrão ou valores reais.

Embora ambas as opções sejam previstas pela regulamentação, compreender as diferenças entre elas é fundamental para uma estratégia de conformidade eficiente. A escolha impacta não apenas o processo de declaração, mas também a capacidade das empresas de demonstrar seu desempenho ambiental e atender às exigências de um mercado cada vez mais orientado pela transparência.

O que são os valores padrão?

Os valores padrão (default values) são fatores de emissão disponibilizados pela Comissão Europeia para auxiliar os importadores quando o produtor não fornece dados específicos sobre as emissões incorporadas em seus produtos.

Essa alternativa simplifica o processo de declaração e pode ser útil para empresas que ainda estão estruturando seus sistemas de monitoramento. No entanto, esses valores representam estimativas e não refletem necessariamente a realidade operacional de cada instalação produtiva.

Por esse motivo, os valores padrão tendem a ser conservadores e podem resultar em emissões declaradas superiores às efetivamente geradas durante o processo produtivo.

O que são os valores reais?

Os valores reais (actual values) correspondem às emissões efetivamente geradas na fabricação do produto.

Para que possam ser utilizados na declaração do CBAM, o produtor deve calcular suas emissões de acordo com a metodologia estabelecida pela regulamentação europeia, manter documentação técnica que comprove os resultados e, quando aplicável, submetê-los à verificação por organismos independentes.

Embora esse processo exija maior nível de organização e gestão de dados, ele permite que a declaração reflita com mais precisão o desempenho ambiental da empresa.

Quais são as principais diferenças entre os valores padrão e os valores reais?

A principal diferença está na origem das informações utilizadas.

Enquanto os valores padrão são definidos pela Comissão Europeia e servem como referência para situações em que não há dados específicos do fabricante, os valores reais são calculados a partir das características do próprio processo produtivo da empresa.

Na prática, isso significa que organizações que investem em monitoramento de emissões, inventários de gases de efeito estufa e rastreabilidade conseguem demonstrar seu desempenho ambiental de forma mais fiel. Já aquelas que utilizam valores padrão podem não evidenciar ganhos obtidos com eficiência energética, melhorias de processo ou iniciativas de descarbonização.

Qual opção faz mais sentido?

Não existe uma resposta única para todas as empresas. Os valores padrão representam uma alternativa válida para organizações que ainda não possuem dados estruturados sobre suas emissões. Entretanto, essa opção pode não refletir investimentos realizados para reduzir a intensidade de carbono de seus processos.

Por outro lado, empresas que conseguem reportar valores reais demonstram maior maturidade na gestão ambiental, fortalecem a transparência junto aos clientes e importadores europeus e podem obter vantagens competitivas quando seus processos apresentam emissões inferiores aos valores de referência.

Em um cenário em que informações ambientais passam a influenciar decisões comerciais, investir na qualidade dos dados torna-se tão importante quanto investir na redução das próprias emissões.

A preparação deve começar agora

Embora a primeira declaração oficial do CBAM deva ser apresentada até 30 de setembro de 2027, ela considerará as emissões incorporadas nas importações realizadas ao longo de 2026. Isso significa que produtores e exportadores precisam começar desde já a estruturar seus processos de monitoramento e gestão das informações.

A coleta consistente de dados, a elaboração de inventários de gases de efeito estufa, a rastreabilidade dos processos produtivos e a adoção de metodologias reconhecidas reduzem riscos de não conformidade e permitem que as empresas estejam preparadas para atender às exigências do mercado europeu.

Além de atender às obrigações regulatórias, essas iniciativas fortalecem a governança ambiental da organização e contribuem para uma gestão mais estratégica das emissões.

Como a biO3 pode apoiar sua empresa

A adequação ao CBAM vai além do preenchimento da declaração. Ela exige dados confiáveis, processos estruturados e conhecimento técnico para interpretar corretamente os requisitos da regulamentação.

Nesse contexto, a biO3 Consultoria apoia empresas na elaboração de inventários de gases de efeito estufa, na implementação de sistemas de monitoramento e rastreabilidade, na organização das informações ambientais e na preparação para atender às exigências de mercados internacionais.

Ao transformar dados ambientais em informações confiáveis e verificáveis, as empresas reduzem riscos, fortalecem sua conformidade e se posicionam de forma mais competitiva diante das novas exigências do comércio global.

Conclusão

A escolha entre utilizar valores padrão ou valores reais no CBAM não deve ser encarada apenas como uma decisão operacional. Ela representa uma oportunidade para que as empresas demonstrem a eficiência de seus processos, fortaleçam a transparência de suas informações ambientais e se preparem para um mercado internacional cada vez mais exigente.

Organizações que iniciarem esse processo de preparação com antecedência estarão mais bem posicionadas para atender às exigências da União Europeia e transformar a conformidade ambiental em um diferencial competitivo.

Quer entender melhor? Entre em contato.