As mudanças climáticas vêm ampliando os desafios para empresas que dependem de recursos naturais, infraestrutura e cadeias de suprimentos complexas. Secas prolongadas, chuvas intensas, ondas de calor e outros eventos extremos podem comprometer a produção, interromper operações, elevar custos e afetar a disponibilidade de matérias-primas. En este caso, compreender a exposição aos riscos climáticos torna-se parte importante do planejamento e da continuidade dos negócios.
A dimensão econômica desse problema já é expressiva no Brasil. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), divulgado em outubro de 2026, eventos climáticos registrados entre julho e setembro afetaram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 municípios brasileiros, com prejuízos estimados em R$ 12,6 mil millones. Embora os impactos sejam distribuídos de maneira desigual entre as regiões e atividades econômicas, os números evidenciam como a ocorrência de eventos extremos pode gerar perdas que ultrapassam os limites ambientais e alcançam a infraestrutura, a produção e a economia local.
Como os riscos climáticos afetam as empresas
Os riscos climáticos podem se manifestar de diferentes formas, dependendo da localização, do setor de atuação e das características operacionais de cada negócio. Os chamados riscos físicos portanto estão associados aos efeitos diretos dos fenômenos climáticos, tanto em eventos agudos, como enchentes e tempestades, quanto em mudanças crônicas, como o aumento das temperaturas e a alteração dos regimes de chuva.
No agronegócio, esses efeitos podem comprometer a produtividade, a disponibilidade hídrica e o fornecimento de insumos agrícolas. en la industria, podem afetar o abastecimento de matérias-primas, o consumo de energia e água e a integridade das instalações. sin embargo, nos setores de transporte e logística, eventos extremos podem interromper rotas, danificar estruturas e provocar atrasos na distribuição de produtos.
A exposição também pode ocorrer indiretamente, por meio de fornecedores e parceiros comerciais. Uma empresa pode estar localizada em uma região pouco vulnerável a determinados eventos, mas depender de matérias-primas produzidas em áreas sujeitas a secas ou inundações. Por eso, avaliar apenas os riscos presentes nas próprias instalações pode resultar em uma visão incompleta das vulnerabilidades do negócio.
Exemplos de impactos climáticos nos negócios
Esses impactos não são apenas potenciais. Um exemplo é o levantamento divulgado pela Natura em seu Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade de 2025. A companhia identificou que produtos associados a ingredientes amazônicos vulneráveis às mudanças climáticas, como castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru, representaram R$ 584,2 milhões em vendas no ano, equivalentes a 2,6% de sua receita líquida. Esse valor não corresponde a uma perda já registrada, mas à receita associada a produtos cuja disponibilidade pode ser comprometida por alterações nas condições climáticas. A empresa também identificou vulnerabilidades em instalações físicas, demonstrando que a exposição pode envolver tanto a cadeia de suprimentos quanto a infraestrutura operacional.
No setor de transportes, os efeitos aparecem de outra maneira. Uma sondagem da Confederação Nacional do Transporte (CNT), publicado en 2025, apontou que 70,6% das empresas consultadas. Haviam registrado prejuízos financeiros diretos relacionados a eventos climáticos extremos nos cinco anos anteriores. Entre as transportadoras pesquisadas, quase uma em cada quatro relatou perdas superiores a R$ 1 millón. Os resultados evidenciam como danos à infraestrutura, interrupções de rotas e custos adicionais de operação podem transformar eventos climáticos em problemas financeiros concretos.
Os exemplos mostram que a exposição climática não se limita aos danos físicos causados por um evento. Ela também pode comprometer o fornecimento de insumos, a regularidade das operações e o cumprimento de compromissos comerciais. Por eso, avaliar apenas as instalações próprias pode oferecer uma visão incompleta dos riscos: é necessário considerar também fornecedores, parceiros logísticos e outras etapas essenciais da cadeia de valor.
Da identificação dos riscos à prevenção
A gestão dos riscos climáticos começa com o conhecimento das vulnerabilidades da organização. Isso envolve identificar instalações, Demanda judicial, recursos e fornecedores críticos, considerando sua localização e a possibilidade de exposição a diferentes eventos climáticos. O levantamento deve ser complementado por informações históricas, projeções climáticas e dados operacionais que permitam avaliar possíveis consequências para a atividade empresarial.
A partir desse diagnóstico, é possível priorizar os riscos conforme sua probabilidade, gravidade e potencial de impacto financeiro e operacional. Essa etapa ajuda a direcionar recursos para as vulnerabilidades mais relevantes e a estabelecer medidas preventivas compatíveis com a realidade de cada negócio.
Entre as ações possíveis estão o aprimoramento do planejamento hídrico, a revisão de estruturas e sistemas de drenagem, a diversificação de fornecedores, a definição de estoques estratégicos e a elaboração de planos de contingência. A escolha das medidas depende portanto das características da operação e dos cenários avaliados, não existindo uma solução única aplicável a todas as empresas.
Así, também é importante estabelecer indicadores para acompanhar a evolução dos riscos e a efetividade das medidas adotadas. Informações sobre consumo de água, interrupções operacionais, dependência de fornecedores e ocorrências ambientais podem contribuir para identificar tendências, orientar decisões e revisar estratégias de adaptação ao longo do tempo.
Da gestão de riscos à estratégia empresarial
A incorporação dos riscos climáticos ao planejamento empresarial exige integração entre as áreas ambiental, operacional, financeira e de gestão. A estruturação de dados ambientais, a definição de indicadores e o acompanhamento de planos de ação permitem transformar informações dispersas em subsídios para a tomada de decisão, além de fortalecer a capacidade de resposta das organizações diante de cenários adversos.
Nesse processo, a gestão ambiental e a estratégia ESG desempenham um papel importante na identificação de vulnerabilidades, na definição de prioridades e no acompanhamento de medidas preventivas. Mais do que reconhecer os riscos, é necessário estabelecer processos que permitam monitorá-los e integrar seus resultados à gestão do negócio.
A biO3 apoia empresas na estruturação de estratégias ESG, na gestão ambiental e no desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade, contribuindo para uma visão mais organizada dos impactos, riscos e oportunidades relacionados ao desempenho ambiental. Logo, integrar essas informações ao planejamento corporativo é um passo importante para fortalecer a resiliência dos negócios e preparar as organizações para os desafios climáticos atuais e futuros.
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