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	<description>meio ambiente e sustentabilidade</description>
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		<title>Gestão ambiental no setor sucroenergético: eficiência operacional e sustentabilidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2026 14:10:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Certificação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O setor sucroenergético ocupa uma posição estratégica na transição energética brasileira. Além da produção de açúcar e etanol, as usinas podem gerar eletricidade a partir da biomassa da cana-de-açúcar, aproveitar subprodutos industriais e desenvolver soluções que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Nesse cenário, a gestão ambiental assume um papel [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O setor sucroenergético ocupa uma posição estratégica na transição energética brasileira. Além da produção de açúcar e etanol, as usinas podem gerar eletricidade a partir da biomassa da cana-de-açúcar, aproveitar subprodutos industriais e desenvolver soluções que contribuam para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Nesse cenário, a gestão ambiental assume um papel cada vez mais relevante para integrar sustentabilidade, eficiência operacional e competitividade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados divulgados pela Copersucar em seu Relatório de Sustentabilidade da Safra 2025/26 ilustram esse potencial. Segundo a companhia, as usinas associadas geraram 6,5 mil&nbsp;GWh&nbsp;de eletricidade a partir da biomassa da cana, o equivalente a aproximadamente 10% da geração brasileira de eletricidade a partir dessa fonte. O relatório também destacou avanços no uso de&nbsp;biometano&nbsp;e na logística de menor intensidade de carbono</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses avanços demonstram que a sustentabilidade no setor vai além da adoção de tecnologias renováveis. Para consolidar resultados, é necessário integrar processos, monitorar indicadores, controlar impactos ambientais e estabelecer mecanismos de melhoria contínua.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Eficiência operacional e desempenho ambiental caminham juntos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A operação de uma usina sucroenergética envolve atividades agrícolas, industriais, logísticas e administrativas, cada uma com demandas específicas de recursos e controles ambientais. O consumo de água, energia, a geração de resíduos, emissões atmosféricas e o manejo de efluentes são aspectos que precisam ser acompanhados de maneira sistemática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando essas informações são analisadas de forma integrada, torna-se mais fácil identificar desperdícios, reconhecer oportunidades de melhoria e priorizar investimentos. O acompanhamento do consumo de água por tonelada de cana processada, da geração de resíduos por unidade produzida e do consumo&nbsp;energético dos equipamentos, por exemplo, pode contribuir para a identificação de desvios e para o planejamento de ações corretivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa abordagem também favorece a tomada de decisão baseada em dados. Em vez de atuar apenas quando ocorre uma não conformidade, a empresa passa a utilizar indicadores para antecipar problemas, avaliar tendências e verificar se as medidas implementadas estão produzindo os resultados esperados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Gestão de resíduos: do controle à valorização de recursos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O processamento da cana-de-açúcar gera diferentes materiais e subprodutos, como bagaço, palha, vinhaça, torta de filtro e cinzas da queima de biomassa. Dependendo de suas características, das condições operacionais e dos requisitos aplicáveis, esses materiais podem apresentar possibilidades de aproveitamento agrícola, energético ou industrial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O bagaço, por exemplo, pode ser utilizado na geração de vapor e eletricidade. Outros materiais podem ter aplicações agronômicas, desde que sejam avaliadas sua composição, suas condições de utilização e a adequação às normas ambientais pertinentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entretanto, o aproveitamento de subprodutos não elimina a necessidade de controle. É fundamental conhecer os volumes gerados, caracterizar os materiais, definir procedimentos de armazenamento e transporte e assegurar sua destinação adequada. O gerenciamento também deve considerar os resíduos que não apresentam alternativas técnica ou economicamente viáveis de reaproveitamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mapeamento dos processos identifica onde geram-se resíduos, quantifica sua ocorrência e avalia oportunidades para reduzir perdas. Dessa forma, a gestão deixa de se limitar à destinação final e passa a contribuir para a eficiência no uso de recursos e para a prevenção de impactos ambientais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sistemas de gestão ambiental e melhoria contínua</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade das operações sucroenergéticas exige procedimentos claros, responsabilidades definidas e acompanhamento contínuo dos resultados. Nesse contexto, os sistemas de gestão ambiental ajudam a estruturar a identificação de aspectos e impactos, a avaliação de riscos, o atendimento aos requisitos legais e o monitoramento do desempenho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ISO 14001 é uma referência internacional para a implementação de sistemas de gestão ambiental. Sua aplicação permite estabelecer processos para identificar impactos relevantes, definir objetivos, acompanhar indicadores, avaliar a conformidade e promover melhorias contínuas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as usinas, essa estrutura pode contribuir para integrar os controles ambientais às rotinas agrícolas e industriais, reduzir falhas de procedimento e melhorar a organização das evidências necessárias para demonstrar o atendimento aos requisitos aplicáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A efetividade do sistema, entretanto, depende de sua aplicação prática. A documentação precisa refletir as atividades reais, os colaboradores devem compreender suas responsabilidades e os indicadores precisam subsidiar decisões. Auditorias internas, treinamentos e avaliações periódicas são ferramentas importantes para verificar a consistência dos controles e identificar oportunidades de aprimoramento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Indicadores ambientais e decisões estratégicas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados de sustentabilidade também precisam ser mensuráveis e verificáveis. Acompanhando indicadores ao longo das safras, as empresas conseguem avaliar a evolução de seu desempenho, comparar resultados entre unidades e estabelecer prioridades de investimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os indicadores relevantes estão a intensidade das emissões de gases de efeito estufa, o consumo de água, a geração de resíduos, o uso de energia e o percentual de materiais destinados a alternativas de reaproveitamento. A seleção deve considerar a realidade de cada operação e a relevância dos aspectos ambientais identificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso das emissões, por exemplo, um inventário de gases de efeito estufa pode ajudar a identificar as principais fontes emissoras e orientar estratégias de redução. Já o monitoramento dos resíduos permite verificar se as ações implementadas estão reduzindo a geração ou melhorando a destinação dos materiais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A qualidade dos dados é fundamental para que esses indicadores sejam úteis. Critérios consistentes de coleta, registros confiáveis e metodologias adequadas permitem acompanhar resultados com maior segurança e fundamentar as informações apresentadas em relatórios de sustentabilidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Sustentabilidade como parte da estratégia das usinas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A evolução do setor sucroenergético demonstra que a geração de energia renovável e o aproveitamento de recursos podem caminhar ao lado de uma gestão ambiental estruturada. Para transformar essas oportunidades em resultados duradouros, porém, é necessário integrar planejamento, controle operacional, capacitação e monitoramento de desempenho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A adoção de sistemas de gestão, o gerenciamento adequado de resíduos e a definição de indicadores ambientais ajudam as usinas a identificar riscos, organizar processos e direcionar esforços para melhorias efetivas. Mais do que atender a exigências, essas práticas contribuem para fortalecer a transparência e incorporar a sustentabilidade às decisões do negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a biO3 atua em soluções ambientais e sustentabilidade, apoiando gestão de resíduos e assessoria na implementação de sistemas de gestão, como a ISO14001. O trabalho integrado dessas frentes pode apoiar empresas agroindustriais na identificação de oportunidades, no aprimoramento de controles e na construção de uma gestão ambiental alinhada às necessidades de suas operações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conhecer os impactos, estabelecer prioridades e acompanhar resultados é um passo fundamental para que a sustentabilidade contribua efetivamente para a eficiência e a competitividade do setor sucroenergético.</p>



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		<title>Riscos climáticos nas empresas: como antecipar impactos e fortalecer a resiliência dos negócios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 12:43:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ação Contra a Mudança Global do Clima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As mudanças climáticas vêm ampliando os desafios para empresas que dependem de recursos naturais, infraestrutura e cadeias de suprimentos complexas. Secas prolongadas, chuvas intensas, ondas de calor e outros eventos extremos podem comprometer a produção, interromper operações, elevar custos e afetar a disponibilidade de matérias-primas. Nesse cenário, compreender a exposição aos riscos climáticos torna-se parte [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">As mudanças climáticas vêm ampliando os desafios para empresas que dependem de recursos naturais, infraestrutura e cadeias de suprimentos complexas. Secas prolongadas, chuvas intensas, ondas de calor e outros eventos extremos podem comprometer a produção, interromper operações, elevar custos e afetar a disponibilidade de matérias-primas. Nesse cenário, compreender a exposição aos riscos climáticos torna-se parte importante do planejamento e da continuidade dos negócios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A dimensão econômica desse problema já é expressiva no Brasil. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), divulgado em outubro de 2026, eventos climáticos registrados entre julho e setembro afetaram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 municípios brasileiros, com prejuízos estimados em R$ 12,6 bilhões. Embora os impactos sejam distribuídos de maneira desigual entre as regiões e atividades econômicas, os números evidenciam como a ocorrência de eventos extremos pode gerar perdas que ultrapassam os limites ambientais e alcançam a infraestrutura, a produção e a economia local.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como os riscos climáticos afetam as empresas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os riscos climáticos podem se manifestar de diferentes formas, dependendo da localização, do setor de atuação e das características operacionais de cada negócio. Os chamados riscos físicos portanto estão associados aos efeitos diretos dos fenômenos climáticos, tanto em eventos agudos, como enchentes e tempestades, quanto em mudanças crônicas, como o aumento das temperaturas e a alteração dos regimes de chuva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No agronegócio, esses efeitos podem comprometer a produtividade, a disponibilidade hídrica e o fornecimento de insumos agrícolas. Na indústria, podem afetar o abastecimento de matérias-primas, o consumo de energia e água e a integridade das instalações. Entretanto, nos setores de transporte e logística, eventos extremos podem interromper rotas, danificar estruturas e provocar atrasos na distribuição de produtos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A exposição também pode ocorrer indiretamente, por meio de fornecedores e parceiros comerciais. Uma empresa pode estar localizada em uma região pouco vulnerável a determinados eventos, mas depender de matérias-primas produzidas em áreas sujeitas a secas ou inundações. Por isso, avaliar apenas os riscos presentes nas próprias instalações pode resultar em uma visão incompleta das vulnerabilidades do negócio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Exemplos de impactos climáticos nos negócios</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esses impactos não são apenas potenciais. Um exemplo é o levantamento divulgado pela Natura em seu Relatório de Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade de 2025. A companhia identificou que produtos associados a ingredientes amazônicos vulneráveis às mudanças climáticas, como castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru, representaram R$ 584,2 milhões em vendas no ano, equivalentes a 2,6% de sua receita líquida. Esse valor não corresponde a uma perda já registrada, mas à receita associada a produtos cuja disponibilidade pode ser comprometida por alterações nas condições climáticas. A empresa também identificou vulnerabilidades em instalações físicas, demonstrando que a exposição pode envolver tanto a cadeia de suprimentos quanto a infraestrutura operacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No setor de transportes, os efeitos aparecem de outra maneira. Uma sondagem da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada em 2025, apontou que 70,6% das empresas consultadas<mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-white-color">. </mark>Haviam registrado prejuízos financeiros diretos relacionados a eventos climáticos extremos nos cinco anos anteriores. Entre as transportadoras pesquisadas, quase uma em cada quatro relatou perdas superiores a R$ 1 milhão. Os resultados evidenciam como danos à infraestrutura, interrupções de rotas e custos adicionais de operação podem transformar eventos climáticos em problemas financeiros concretos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os exemplos mostram que a exposição climática não se limita aos danos físicos causados por um evento. Ela também pode comprometer o fornecimento de insumos, a regularidade das operações e o cumprimento de compromissos comerciais. Por isso, avaliar apenas as instalações próprias pode oferecer uma visão incompleta dos riscos: é necessário considerar também fornecedores, parceiros logísticos e outras etapas essenciais da cadeia de valor.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da identificação dos riscos à prevenção</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A gestão dos riscos climáticos começa com o conhecimento das vulnerabilidades da organização. Isso envolve identificar instalações, processos, recursos e fornecedores críticos, considerando sua localização e a possibilidade de exposição a diferentes eventos climáticos. O levantamento deve ser complementado por informações históricas, projeções climáticas e dados operacionais que permitam avaliar possíveis consequências para a atividade empresarial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir desse diagnóstico, é possível priorizar os riscos conforme sua probabilidade, gravidade e potencial de impacto financeiro e operacional. Essa etapa ajuda a direcionar recursos para as vulnerabilidades mais relevantes e a estabelecer medidas preventivas compatíveis com a realidade de cada negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as ações possíveis estão o aprimoramento do planejamento hídrico, a revisão de estruturas e sistemas de drenagem, a diversificação de fornecedores, a definição de estoques estratégicos e a elaboração de planos de contingência. A escolha das medidas depende portanto das características da operação e dos cenários avaliados, não existindo uma solução única aplicável a todas as empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, também é importante estabelecer indicadores para acompanhar a evolução dos riscos e a efetividade das medidas adotadas. Informações sobre consumo de água, interrupções operacionais, dependência de fornecedores e ocorrências ambientais podem contribuir para identificar tendências, orientar decisões e revisar estratégias de adaptação ao longo do tempo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da gestão de riscos à estratégia empresarial</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A incorporação dos riscos climáticos ao planejamento empresarial exige integração entre as áreas ambiental, operacional, financeira e de gestão. A estruturação de dados ambientais, a definição de indicadores e o acompanhamento de planos de ação permitem transformar informações dispersas em subsídios para a tomada de decisão, além de fortalecer a capacidade de resposta das organizações diante de cenários adversos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse processo, a gestão ambiental e a estratégia ESG desempenham um papel importante na identificação de vulnerabilidades, na definição de prioridades e no acompanhamento de medidas preventivas. Mais do que reconhecer os riscos, é necessário estabelecer processos que permitam monitorá-los e integrar seus resultados à gestão do negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A biO3 apoia empresas na estruturação de estratégias ESG, na gestão ambiental e no desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade, contribuindo para uma visão mais organizada dos impactos, riscos e oportunidades relacionados ao desempenho ambiental. Logo, integrar essas informações ao planejamento corporativo é um passo importante para fortalecer a resiliência dos negócios e preparar as organizações para os desafios climáticos atuais e futuros.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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		<title>Sisrev-BR: como a rastreabilidade está transformando a logística reversa no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 12:57:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Água Potável e Saneamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A gestão da logística reversa no Brasil entra em uma nova etapa. Em setembro de 2026, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) instituiu o Sistema Nacional de Logística Reversa (Sisrev-BR), integrado ao Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir). Criado pela Portaria GM/MMA nº 1.778, de 16 [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A gestão da logística reversa no Brasil entra em uma nova etapa. Em setembro de 2026, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) instituiu o Sistema Nacional de Logística Reversa (Sisrev-BR), integrado ao Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Criado pela Portaria GM/MMA nº 1.778, de 16 de setembro de 2026, o sistema foi desenvolvido para centralizar informações, acompanhar resultados e ampliar a rastreabilidade dos sistemas de logística reversa no país. A novidade reforça uma tendência que vem ganhando espaço na gestão ambiental: além de destinar corretamente os resíduos, empresas precisam cada vez mais demonstrar e comprovar os resultados alcançados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é o Sisrev-BR?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Sisrev-BR funcionará como um módulo integrado ao Sinir para o cadastro dos sistemas de logística reversa, reporte de resultados, consolidação e monitoramento das informações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ferramenta contempla sistemas de logística reversa implementados tanto por modelos coletivos quanto individuais, envolvendo fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e outros responsáveis pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos pontos de destaque é a possibilidade de utilização das informações registradas para atividades de fiscalização e controle ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, isso representa uma mudança importante: dados que antes estavam distribuídos entre diferentes documentos, sistemas e agentes passam a fazer parte de uma estrutura nacional de informação e acompanhamento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mais rastreabilidade, mais responsabilidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Portaria também estabelece mecanismos para integração entre o Sisrev-BR e plataformas eletrônicas utilizadas pelos verificadores de resultados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa integração busca padronizar a troca de informações e facilitar a consolidação dos resultados de recuperação e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto relevante envolve a rastreabilidade do conteúdo reciclado. Nos sistemas sujeitos a obrigações de incorporação de materiais reciclados, deverão registrar-se informações como massas de insumos reciclados, fornecedores e movimentação dos materiais ao longo da cadeia de reciclagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com isso, a qualidade dos dados passa a ter papel ainda mais relevante. Não basta informar que reciclou-se determinado material: é necessário possuir informações capazes de sustentar e demonstrar esse resultado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quais são os próximos prazos?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A nova estrutura também estabelece uma rotina mais clara para o reporte das informações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sistemas de logística reversa deverão cadastrar-se no Sisrev-BR entre 1º de janeiro e 31 de maio de cada ano. Já os relatórios anuais de resultados deverão ser apresentados até 30 de julho, contendo informações referentes ao ano anterior e os documentos comprobatórios aplicáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paralelamente, o tema continua avançando. Em 29 de setembro de 2026, teve início uma consulta pública para a regulamentação do Programa Nacional de Logística Reversa (PNLR), coordenada pelo MMA. As contribuições podem ser enviadas até 28 de outubro. O programa busca coordenar e integrar os diferentes sistemas de logística reversa no país.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como as empresas podem se preparar?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação do Sisrev-BR reforça uma necessidade que já faz parte da gestão ambiental das organizações: conhecer, controlar e documentar todas as etapas relacionadas aos resíduos gerados em suas atividades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a preparação vai além do preenchimento de sistemas. É importante manter informações atualizadas sobre os resíduos gerados, sua classificação e quantificação, formas de armazenamento, movimentação, destinação e documentação associada. A organização desses dados também contribui para o acompanhamento de indicadores e para a comprovação dos resultados apresentados aos órgãos ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse cenário que a Gestão de Resíduos ganha ainda mais relevância. Um gerenciamento estruturado permite identificar os pontos de geração, avaliar os fluxos de resíduos, verificar as formas de armazenamento e destinação e acompanhar a documentação e as obrigações ambientais aplicáveis a cada empreendimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Gestão de resíduos como estratégia de conformidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com a evolução dos mecanismos de rastreabilidade e monitoramento, empresas que mantêm seus processos e informações organizados estão mais preparadas para responder às novas demandas regulatórias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A biO3 oferece serviços de Gestão de Resíduos para os setores de agricultura, indústria e varejo, atuando desde o mapeamento dos processos e identificação dos resíduos gerados até a avaliação de armazenamento, destinação e documentação ambiental. A consultoria também auxilia na estruturação e acompanhamento de instrumentos como PGRS, PGRSS, CADRI e Inventário de Resíduos, conforme as necessidades e características de cada empreendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o avanço do Sisrev-BR e das demais iniciativas relacionadas à logística reversa, estruturar a gestão de resíduos hoje pode ser um passo importante para que as empresas estejam preparadas para as exigências de amanhã.</p>



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		<title>SBCE avança para a fase de implementação: o que mudou em 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 19:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Energia Limpa e Acessível]]></category>
		<category><![CDATA[Indústria, Inovação e Infraestrutura]]></category>
		<category><![CDATA[certificação]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Desde a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), o Brasil vem estruturando as bases para a implantação do mercado regulado de carbono. Em 2026, porém, o sistema passou a avançar para uma etapa mais operacional, com a definição de mecanismos para acompanhar e registrar as emissões das [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Desde a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), o Brasil vem estruturando as bases para a implantação do mercado regulado de carbono. Em 2026, porém, o sistema passou a avançar para uma etapa mais operacional, com a definição de mecanismos para acompanhar e registrar as emissões das empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais avanços foi a proposta de cronograma para o Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) das emissões, submetida a consulta pública pelo Ministério da Fazenda em julho e encerrada em 28 de agosto. A proposta estabelece uma implementação gradual das obrigações para diferentes setores da economia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é o MRV?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O MRV corresponde a Monitoramento, Relato e Verificação e será uma das bases para o funcionamento do SBCE.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, o processo envolve três etapas: acompanhar e calcular as emissões, reportar essas informações de acordo com as regras estabelecidas e submetê-las à verificação independente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A formação de uma base oficial, consistente e confiável de dados sobre emissões é fundamental para o desenvolvimento das demais etapas do sistema, incluindo futuras definições sobre limites de emissão, alocação de Cotas Brasileiras de Emissões (CBEs) e utilização de Certificados de Redução ou Remoção Verificada de Emissões (CRVEs).</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma implementação gradual</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda prevê a entrada gradual de setores nas obrigações de MRV.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de 2027, estão previstos papel e celulose, ferro e aço em usinas integradas, cimento, alumínio primário, exploração e produção de petróleo e gás natural, refino de petróleo e transporte aéreo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até 2029, entram mineração, alumínio reciclado, ferro e aço em usinas semi-integradas, setor elétrico, vidro, cerâmica, alimentos e bebidas, indústria química, resíduos sólidos e tratamento de esgoto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Até 2031, o cronograma contempla os transportes rodoviário, ferroviário e aquaviário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante destacar que a inclusão de um setor no MRV não significa, automaticamente, que ele estará sujeito naquele momento a limites de emissão ou à conciliação de obrigações. Esses parâmetros dependerão das próximas etapas de regulamentação do SBCE.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que as empresas precisam observar?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com o cronograma avançando, a preparação deixa de ser apenas uma questão de acompanhar novas normas. As empresas precisam começar a avaliar a qualidade das informações que possuem sobre suas próprias emissões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O inventário de gases de efeito estufa (GEE) ganha importância nesse processo por permitir identificar fontes de emissão, organizar dados e estabelecer metodologias de cálculo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma preparação adequada pode envolver:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>identificação das principais fontes de emissão;</li>



<li>organização e rastreabilidade dos dados;</li>



<li>definição de metodologias de cálculo;</li>



<li>avaliação da qualidade das informações disponíveis;</li>



<li>estruturação de processos para futuras verificações.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, o inventário pode funcionar como uma base para a empresa compreender sua exposição às futuras obrigações e identificar eventuais lacunas antes da entrada efetiva no cronograma aplicável.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que ainda falta definir?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços de 2026, a regulamentação do SBCE ainda está em construção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os pontos que dependem de definições posteriores estão o detalhamento das atividades, instalações, fontes e gases abrangidos, metodologias específicas para diferentes setores, critérios para organismos de verificação independente e regras relacionadas aos CRVEs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Registro Central do SBCE também está sendo desenvolvido para reunir informações relacionadas às emissões e aos ativos ambientais do sistema. A Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono (SEMC) é responsável, entre outras atribuições, pela implementação do sistema, definição das normas de MRV e desenvolvimento dessa infraestrutura.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma agenda que também avança internacionalmente</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em setembro, o Brasil avançou na cooperação internacional por meio da Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono, que reúne países como China e integrantes da União Europeia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em reunião realizada em Wuhan, na China, foi aprovado um plano de trabalho para a coalizão, que inclui temas como MRV, contabilidade de carbono e convergência entre diferentes mercados regulados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse movimento amplia a discussão sobre compatibilidade entre metodologias e sistemas de mensuração de emissões em diferentes mercados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Preparação começa antes da obrigação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O SBCE ainda depende de regulamentações importantes, mas os avanços de 2026 já oferecem uma indicação mais clara sobre os próximos passos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as empresas, acompanhar o cronograma e estruturar informações confiáveis sobre suas emissões pode reduzir incertezas e facilitar a adaptação às futuras obrigações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, conhecer as próprias emissões deixa de ser apenas uma iniciativa ambiental e passa a fazer parte da preparação empresarial para uma nova estrutura regulatória.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como a biO3 pode apoiar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A preparação para esse novo cenário exige organização de dados, conhecimento técnico e capacidade de transformar informações ambientais em ferramentas de gestão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A biO3 Consultoria apoia organizações em iniciativas relacionadas a:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>inventários de emissões de gases de efeito estufa;</li>



<li>organização e análise de dados ambientais;</li>



<li>estratégias ESG e climáticas;</li>



<li>preparação para requisitos regulatórios;</li>



<li>projetos de descarbonização.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Com o SBCE avançando para sua etapa de implementação, estruturar essas informações desde agora pode ser um passo importante para que as empresas estejam preparadas para as próximas fases do mercado regulado de carbono.</p>



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		<title>Biometano avança no Brasil e entra em uma nova fase de certificação e rastreabilidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 18:38:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Certificação]]></category>
		<category><![CDATA[Energia Limpa e Acessível]]></category>
		<category><![CDATA[biometano]]></category>
		<category><![CDATA[certificação]]></category>
		<category><![CDATA[energia limpa]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[rastreabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[transição energética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O biometano vem ganhando espaço na agenda brasileira de transição energética e, em 2026, passou a contar com novos instrumentos regulatórios para estruturar sua expansão. Além do crescimento da oferta, o mercado começa a avançar em uma etapa fundamental para sua consolidação: a criação de mecanismos capazes de comprovar a origem, a rastreabilidade e os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O biometano vem ganhando espaço na agenda brasileira de transição energética e, em 2026, passou a contar com novos instrumentos regulatórios para estruturar sua expansão. Além do crescimento da oferta, o mercado começa a avançar em uma etapa fundamental para sua consolidação: a criação de mecanismos capazes de comprovar a origem, a rastreabilidade e os atributos ambientais do combustível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Produzido a partir da purificação do biogás obtido pela decomposição de matéria orgânica, o biometano pode ser utilizado em diferentes aplicações, incluindo transporte, indústria e geração de energia. Sua produção também permite aproveitar resíduos agropecuários, urbanos e industriais, aproximando o combustível de conceitos relacionados à economia circular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dados apresentados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram a dimensão desse avanço. Segundo a instituição, a oferta energética de biogás e biometano no Brasil aumentou quase 40 vezes entre 2010 e 2025, impulsionada por políticas públicas, avanços regulatórios e investimentos no setor. A EPE também destaca o potencial do biometano para contribuir com a redução das emissões de gases de efeito estufa e para a valorização de resíduos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um novo ambiente regulatório</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A expansão do mercado ocorre paralelamente à implementação da Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro. A legislação criou o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, estabelecendo instrumentos para estimular a utilização do combustível renovável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em fevereiro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou duas resoluções relacionadas ao programa. Entre os temas regulamentados estão os procedimentos e requisitos para emissão do Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB) e a individualização das metas anuais aplicáveis a produtores e importadores de gás natural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A criação desse arcabouço representa uma mudança importante para o setor. À medida que o biometano passa a ocupar um espaço maior na matriz energética, torna-se necessário estabelecer mecanismos que permitam identificar sua origem e comprovar as características associadas à sua produção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>CGOB: certificação e rastreabilidade</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos principais instrumentos desse novo cenário é o Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB). O certificado está associado à rastreabilidade do biometano produzido e comercializado e busca atestar atributos relacionados à sua origem e ao processo produtivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1º de setembro, a ANP publicou dois novos Informes Técnicos que detalham como esse processo deverá funcionar na prática. O Informe Técnico nº 04/CGOB estabelece procedimentos para a certificação de produtores e importadores, incluindo auditoria na unidade produtora, monitoramento e renovação da certificação. Já o Informe Técnico nº 05/CGOB apresenta os procedimentos e a documentação necessários para os processos de certificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a publicação dos documentos, os Agentes Certificadores de Origem já credenciados pela ANP passaram a poder iniciar os processos de certificação de produtores e importadores interessados em aderir ao programa e emitir CGOBs. A própria ANP mantém uma relação dos requisitos e formulários necessários para esses procedimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, isso significa que a rastreabilidade deixa de ser apenas um conceito associado à sustentabilidade e passa a integrar uma estrutura regulatória específica. Informações sobre origem, produção, documentação e processos de verificação tornam-se elementos importantes para a emissão e manutenção da certificação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Qualidade também ganha espaço</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A certificação de origem não é o único movimento recente da ANP. Em agosto, a agência aprovou a Resolução ANP nº 1.006/2026, que consolidou e aprimorou as regras de especificação e controle da qualidade do biometano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nova regulamentação substituiu normas anteriores e atualizou métodos de ensaio e procedimentos de controle. Entre as mudanças estão a uniformização da frequência de monitoramento do enxofre total e o aperfeiçoamento das regras relacionadas à análise de riscos e ao gerenciamento de barreiras técnicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atualização demonstra que o desenvolvimento do mercado envolve diferentes dimensões. Ao mesmo tempo em que mecanismos de certificação buscam garantir informações sobre a origem e os atributos do combustível, regras de qualidade estabelecem parâmetros técnicos para sua comercialização e utilização.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O papel dos dados ambientais</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Esse processo aumenta a importância da qualidade das informações utilizadas pelas empresas. Para que atributos ambientais sejam certificados e rastreados, é necessário que os dados associados à produção sejam organizados, documentados e passíveis de verificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa necessidade ganha relevância especialmente quando o biometano é apresentado como uma alternativa para redução de emissões. A avaliação de benefícios ambientais depende de informações confiáveis sobre matérias-primas, processos produtivos, volumes e características da produção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto que merece atenção é a relação entre diferentes instrumentos ambientais. Em junho, a ANP concluiu estudo sobre a possibilidade de utilização do CGOB em conjunto ou de forma intercambiável com outros certificados de atributos ambientais. A agência concluiu que essa equivalência não deve ser automática, considerando diferenças entre metodologias, unidades, sistemas de registro, auditoria e governança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A discussão reforça que a expansão dos mercados ambientais depende não apenas da criação de certificados, mas também da definição de critérios claros para sua integridade, rastreabilidade e reconhecimento.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um mercado em fase de estruturação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O avanço regulatório ocorre em um momento de expansão do setor. A EPE identifica o crescimento do biogás e do biometano entre os principais movimentos recentes dos biocombustíveis brasileiros e aponta oportunidades relacionadas à economia circular, ao aproveitamento de resíduos e aos instrumentos de certificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a consolidação do mercado de biometano passa por uma combinação de fatores: aumento da oferta, investimentos, regulamentação, controle de qualidade e capacidade de comprovar atributos ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para produtores, importadores e demais empresas envolvidas na cadeia, esse cenário tende a aumentar a importância de processos internos voltados à organização de dados, rastreabilidade, conformidade e documentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O biometano, portanto, entra em uma nova etapa no Brasil. O desafio não está apenas em ampliar sua produção e utilização, mas também em construir mecanismos confiáveis para demonstrar sua origem, qualidade e contribuição ambiental. Com a regulamentação do CGOB avançando e os processos de certificação começando a ser operacionalizados, a capacidade de gerar e comprovar informações consistentes passa a ocupar um papel cada vez mais relevante na consolidação desse mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À medida que o mercado de biometano se estrutura, a capacidade de transformar informações ambientais e operacionais em dados rastreáveis, verificáveis e úteis para a tomada de decisão tende a ganhar importância. Mais do que atender a requisitos regulatórios, essa estrutura pode contribuir para a transparência e a competitividade de empresas inseridas na cadeia da bioenergia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



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		<title>Novas regras do CBAM reforçam a importância da verificação das emissões</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2026 18:15:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ação Contra a Mudança Global do Clima]]></category>
		<category><![CDATA[CBAM]]></category>
		<category><![CDATA[ESG]]></category>
		<category><![CDATA[certificação]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A entrada do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) em seu período definitivo traz novos desafios para empresas que exportam produtos para a União Europeia. Além do cálculo das emissões incorporadas, ganha importância a capacidade de comprovar a qualidade, a rastreabilidade e a consistência dos dados utilizados. Em agosto de 2026, a Comissão [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A entrada do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) em seu período definitivo traz novos desafios para empresas que exportam produtos para a União Europeia. Além do cálculo das emissões incorporadas, ganha importância a capacidade de comprovar a qualidade, a rastreabilidade e a consistência dos dados utilizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em agosto de 2026, a Comissão Europeia publicou uma nova orientação sobre verificação e acreditação no CBAM, detalhando requisitos para organismos verificadores e Organismos Nacionais de Acreditação. O tema também foi abordado no webinar “Verificação e acreditação no CBAM para verificadores e Organismos Nacionais de Acreditação”, promovido pela IACBAM (Associação Internacional de Consultores de CBAM e Mercados de Carbono) em 2 de setembro, com participação de Luigi Villani, especialista em CBAM da organização.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nova orientação portanto ajuda a esclarecer como deverá funcionar essa estrutura de verificação e quais serão as responsabilidades dos diferentes atores envolvidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como funcionará a verificação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O declarante europeu poderá utilizar dados de emissões de uma instalação localizada fora da União Europeia somente após um organismo independente, acreditado por um Organismo Nacional de Acreditação da União Europeia, realizar a verificação desses dados. Para declarar emissões reais no CBAM, o declarante deverá utilizar dados previamente verificados por esse organismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O processo não se limita ao número final de emissões. Entre os elementos analisados estão o plano de monitoramento, fontes de emissão, dados de atividade, combustíveis, eletricidade, calor, fatores de emissão, precursores, instrumentos de medição, cálculos e documentos que sustentem as informações apresentadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A verificação também envolve uma análise dos processos e dos controles utilizados pela instalação para gerar e registrar os dados. A Comissão Europeia prevê, como regra geral, a realização de visitas às instalações, permitindo ao verificador avaliar os processos produtivos, as fontes de emissão, os sistemas de monitoramento e a documentação disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa forma, a consistência entre os dados registrados e os processos efetivamente realizados na unidade produtiva passa a ser um aspecto relevante da avaliação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A acreditação é uma etapa fundamental</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A atuação do verificador depende de uma estrutura específica de acreditação. Os organismos interessados precisam demonstrar competência técnica, independência e capacidade de aplicar procedimentos de verificação consistentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nova orientação permite que as empresas realizem algumas etapas do trabalho enquanto o processo de acreditação ainda estiver em andamento. Análises preliminares, avaliação de riscos e determinadas atividades de preparação podem avançar antes da acreditação, mas o relatório oficial de verificação somente pode ser emitido por um verificador devidamente acreditado e registrado no sistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, depois da acreditação, o verificador precisa também obter acesso ao Registro do CBAM, plataforma utilizada para a interação com os operadores das instalações, análise dos dados e emissão dos relatórios de verificação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Comissão Europeia estabeleceu setembro de 2026 como o início do registro dos verificadores acreditados, enquanto os primeiros relatórios oficiais de verificação poderão ser emitidos a partir de janeiro de 2027.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Rastreabilidade ganha importância</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para empresas exportadoras, essa estrutura reforça a necessidade de manter uma cadeia de informações capaz de demonstrar a origem dos dados utilizados no cálculo das emissões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Registros de consumo de combustíveis, eletricidade, matérias-primas e precursores precisam estar acompanhados de evidências e controles que permitam compreender como essas informações foram obtidas e incorporadas ao resultado final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse cuidado também se aplica aos dados provenientes de fornecedores. Quando as emissões incorporadas dependem de informações de precursores, a qualidade e a rastreabilidade desses dados passam a influenciar diretamente a capacidade de demonstrar a confiabilidade do cálculo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A regra dos 5% não representa uma margem de erro</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto relevante da orientação da Comissão Europeia é a utilização de um limite de 5% como referência de materialidade para determinados cálculos de emissões incorporadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa referência, entretanto, não deve ser interpretada como uma margem de tolerância. Uma inconsistência abaixo de 5% não autoriza o responsável a simplesmente desconsiderá-la. O verificador deve avaliar as informações identificadas e determinar se há erros ou não conformidades que precisam de correção antes da conclusão do processo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso reforça a importância de controles internos capazes de identificar inconsistências antes que os dados sejam submetidos à verificação.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Relação com o EU ETS</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A experiência adquirida com a verificação de emissões no Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia (EU ETS) também pode contribuir para a atuação no CBAM. Verificadores que já possuem determinadas acreditações podem utilizar parte de sua estrutura existente, mas o CBAM apresenta requisitos específicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre eles estão a avaliação do plano de monitoramento da instalação, aspectos relacionados às emissões incorporadas, eletricidade, precursores e outras informações específicas dos produtos abrangidos pelo mecanismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a experiência anterior com verificação de emissões pode facilitar o processo, mas não elimina a necessidade de atender às competências e aos requisitos próprios do CBAM.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O papel da preparação</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A nova etapa do CBAM reforça que a preparação das empresas não deve se concentrar apenas na elaboração do cálculo anual. É importante avaliar antecipadamente a estrutura de monitoramento, os procedimentos internos, os responsáveis pelos dados, os sistemas de medição e a documentação disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para empresas brasileiras sujeitas ao mecanismo, essa preparação pode reduzir dificuldades durante uma futura verificação e contribuir para maior segurança na apresentação das informações ao mercado europeu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Comissão Europeia também publicou, em agosto, uma série de orientações específicas para operadores de instalações localizadas fora da União Europeia, incluindo documentos gerais e materiais voltados aos diferentes setores abrangidos pelo CBAM.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um novo cenário para os exportadores</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com o avanço da infraestrutura de verificação e do Registro do CBAM, a confiabilidade dos dados passa a ocupar posição ainda mais importante na implementação do mecanismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os exportadores brasileiros, acompanhar essas mudanças significa não apenas compreender as exigências regulatórias, mas também fortalecer processos internos de monitoramento, documentação e rastreabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, empresas que estruturarem seus dados e procedimentos com antecedência estarão mais preparadas para demonstrar suas emissões e responder às novas exigências associadas ao acesso ao mercado europeu.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Preparação também é estratégia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Com o avanço das exigências do CBAM, estruturar dados confiáveis de emissões e garantir sua rastreabilidade passa a ser parte importante da preparação das empresas que atuam no comércio internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a biO3 apoia organizações na gestão de emissões de gases de efeito estufa, na estruturação de dados ambientais e na adequação a requisitos de sustentabilidade e mercado, contribuindo para que as informações estejam organizadas, documentadas e alinhadas às exigências aplicáveis.</p>



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		<title>SAF: O papel estratégico das certificações ISCC CORSIA e RSB CORSIA na aviação sustentável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2026 19:14:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Certificação]]></category>
		<category><![CDATA[CORSIA]]></category>
		<category><![CDATA[ISCC]]></category>
		<category><![CDATA[certificação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Da matéria-prima ao avião, a sustentabilidade precisa ser comprovada Descarbonizar a aviação é um dos grandes desafios da transição energética. Diferentemente de outros setores, a eletrificação de aeronaves comerciais de médio e longo alcance ainda enfrenta limitações tecnológicas e operacionais. Por isso, os Sustainable Aviation Fuels (SAF), ou Combustíveis Sustentáveis de Aviação, ganharam espaço como [&#8230;]</p>
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<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da matéria-prima ao avião, a sustentabilidade precisa ser comprovada</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Descarbonizar a aviação é um dos grandes desafios da transição energética. Diferentemente de outros setores, a eletrificação de aeronaves comerciais de médio e longo alcance ainda enfrenta limitações tecnológicas e operacionais. Por isso, os Sustainable Aviation Fuels (SAF), ou Combustíveis Sustentáveis de Aviação, ganharam espaço como uma das principais alternativas para reduzir as emissões do setor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas produzir um combustível a partir de uma fonte renovável não significa, por si só, que ele seja sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É necessário comprovar a origem da matéria-prima, rastrear sua cadeia de fornecimento e demonstrar o desempenho ambiental do combustível. É nesse contexto que entram as certificações ISCC CORSIA e RSB ICAO CORSIA.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é CORSIA?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation (CORSIA) é o mecanismo criado pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) para contribuir com a redução das emissões da aviação internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro do sistema, combustíveis considerados elegíveis podem contribuir para a redução das emissões atribuídas às companhias aéreas, desde que atendam a critérios específicos de sustentabilidade e sejam devidamente certificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o SAF, isso significa que não basta ser um combustível renovável: é necessário demonstrar sua origem, rastreabilidade e redução de emissões ao longo do ciclo de vida.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que a certificação é necessária?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Imagine uma cadeia que começa no campo ou na coleta de um resíduo e termina no abastecimento de uma aeronave:</p>



<p class="wp-block-paragraph">matéria-prima → processamento → produção do SAF → distribuição → companhia aérea</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo desse caminho, diferentes empresas podem participar da cadeia. Sem um sistema de verificação, seria difícil garantir que o combustível comercializado realmente possui os atributos ambientais declarados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As certificações funcionam justamente como uma estrutura de confiança. Auditorias independentes verificam informações sobre origem, volumes, movimentação dos materiais, processos produtivos e características de sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do CORSIA, ISCC CORSIA e RSB ICAO CORSIA são esquemas reconhecidos para demonstrar a conformidade dos combustíveis com os requisitos de sustentabilidade aplicáveis.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>ISCC CORSIA</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O ISCC CORSIA foi desenvolvido para certificar cadeias de fornecimento de combustíveis elegíveis ao CORSIA, abrangendo requisitos relacionados à sustentabilidade, rastreabilidade e emissões de gases de efeito estufa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema contempla diferentes matérias-primas, incluindo resíduos, subprodutos e determinadas matérias-primas agrícolas. A documentação do ISCC, por exemplo, contempla possibilidades como cana-de-açúcar, resíduos agrícolas, óleo de cozinha usado e resíduos florestais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos elementos centrais é a cadeia de custódia, que permite acompanhar a movimentação dos materiais e controlar os atributos de sustentabilidade ao longo da cadeia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ISCC também utiliza o conceito de balanço de massa, permitindo que materiais certificados e não certificados sejam processados dentro de determinados sistemas, desde que os volumes e atributos correspondentes sejam devidamente contabilizados e auditados.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>RSB ICAO CORSIA</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O RSB ICAO CORSIA possui o mesmo objetivo de permitir a certificação de combustíveis elegíveis ao CORSIA, mas utiliza a estrutura de princípios e critérios de sustentabilidade desenvolvida pelo Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das questões relacionadas às emissões e à rastreabilidade, a abordagem do RSB contempla aspectos ambientais e sociais mais amplos, como uso da terra, conservação, direitos trabalhistas, direitos humanos e segurança alimentar, conforme aplicável à cadeia certificada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O padrão também reconhece diferentes modelos de cadeia de custódia, incluindo segregação e balanço de massa, permitindo rastrear os atributos de sustentabilidade desde a origem até os pontos seguintes da cadeia.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>ISCC CORSIA ou RSB CORSIA?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">As duas certificações possuem o mesmo objetivo central dentro do CORSIA, mas apresentam diferenças na estrutura e nos critérios utilizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha pode depender da matéria-prima, do processo produtivo, dos mercados atendidos, das exigências dos compradores e da estratégia de sustentabilidade da empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do ISCC, existe ainda o ISCC CORSIA PLUS, que amplia determinados requisitos relacionados à produção de biomassa e incorpora critérios ambientais, sociais e econômicos adicionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, a escolha da certificação não deve ser tratada simplesmente como uma decisão entre dois selos. É uma decisão relacionada à estratégia da cadeia de fornecimento e aos mercados que a empresa pretende acessar.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>E as emissões?</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto fundamental é a avaliação do ciclo de vida (LCA).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sustentabilidade climática do SAF não determina-se apenas pelas emissões durante a queima. Consideram-se diferentes etapas da cadeia, desde a obtenção da matéria-prima até a produção e utilização do combustível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O CORSIA estabelece uma linha de base de 89 gCO₂e/MJ para o combustível de aviação convencional e exige que os combustíveis elegíveis atendam aos critérios de redução de emissões estabelecidos pelo mecanismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, dois combustíveis classificados como SAF podem apresentar intensidades de carbono bastante diferentes, dependendo da matéria-prima, do processo industrial, do consumo energético e da logística.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma oportunidade para o Brasil e para cadeias mais sustentáveis</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O desenvolvimento do mercado de SAF representa uma oportunidade relevante para o Brasil. A combinação de produção agrícola, disponibilidade de biomassa e resíduos, experiência em biocombustíveis e infraestrutura industrial cria condições favoráveis para que o país participe da expansão desse mercado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas transformar essa vantagem em competitividade internacional exige mais do que capacidade de produção. É necessário construir cadeias capazes de rastrear matérias-primas, quantificar emissões e comprovar atributos de sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um exemplo dessa movimentação é a certificação ISCC CORSIA obtida pela Petrobras para a Refinaria de Duque de Caxias (REDUC), relacionada ao coprocessamento de óleos vegetais refinados para produção de SAF.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O caso demonstra como a certificação começa a fazer parte da própria estruturação desse mercado. Afinal, o crescimento do SAF dependerá de tecnologia, escala e competitividade, mas também de confiança. Companhias aéreas, produtores, fornecedores e investidores precisam ter segurança de que os atributos ambientais associados ao combustível podem ser comprovados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse cenário, certificações como ISCC CORSIA e RSB ICAO CORSIA deixam de ser apenas instrumentos de conformidade e passam a funcionar como uma infraestrutura de confiança, conectando produção sustentável, rastreabilidade, redução de emissões e acesso a mercados internacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as empresas que pretendem participar dessa cadeia, estar preparado significa compreender requisitos, estruturar processos, organizar evidências e garantir que as informações ambientais possam ser verificadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse processo que a biO3 pode contribuir, apoiando empresas na estruturação de estratégias de sustentabilidade, rastreabilidade, gestão ambiental e preparação para certificações, transformando requisitos ambientais em processos estruturados e oportunidades de negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o Brasil, o desafio é transformar sua vantagem em biomassa e biocombustíveis em uma cadeia de SAF competitiva e reconhecida globalmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No futuro da aviação sustentável, não bastará produzir um combustível renovável. Será necessário provar sua sustentabilidade do campo à asa.</p>



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		<title>O que o desastre no Nepal revela sobre os riscos das cadeias de suprimentos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2026 17:45:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades e Comunidades Sustentáveis]]></category>
		<category><![CDATA[ESG]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Terrestre]]></category>
		<category><![CDATA[Desastre ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
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		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Como eventos extremos podem ultrapassar fronteiras e chegar às operações das empresas Na manhã de 26 de agosto, uma enorme massa de gelo, rocha e sedimentos desceu pelos vales do Himalaia, na fronteira entre Nepal e Tibete. O colapso de uma geleira desencadeou uma sequência de eventos que levou água e detritos a atingir comunidades, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como eventos extremos podem ultrapassar fronteiras e chegar às operações das empresas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na manhã de 26 de agosto, uma enorme massa de gelo, rocha e sedimentos desceu pelos vales do Himalaia, na fronteira entre Nepal e Tibete. O colapso de uma geleira desencadeou uma sequência de eventos que levou água e detritos a atingir comunidades, estradas, pontes e infraestrutura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desastre deixou centenas de mortos e mais de mil pessoas desaparecidas. Entre os desaparecidos estão moradores locais e estrangeiros que viajavam pela região, muitos deles peregrinos a caminho do Monte Kailash e do lago Mansarovar. Equipes de resgate continuam procurando sobreviventes em meio aos destroços.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por trás dos números, estão famílias que aguardam notícias, comunidades que perderam suas casas e pessoas que tiveram poucos minutos — ou segundos — para escapar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de ser uma discussão sobre economia, clima ou empresas, o episódio é uma tragédia humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas ele também evidencia algo que merece atenção: os impactos de um evento extremo podem se espalhar muito além do local onde ele acontece.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quando um desastre ultrapassa fronteiras</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No Nepal, a força da inundação destruiu parte da infraestrutura local e afetou estradas, pontes, sistemas de energia e importantes conexões comerciais entre Nepal e Tibete. O próprio posto de fronteira de Gyirong, uma importante ligação entre os dois países, foi destruído.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso demonstra como um único evento pode desencadear uma sequência de consequências.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma ponte destruída interrompe uma rota.&nbsp;Uma estrada bloqueada impede o transporte.&nbsp;Uma infraestrutura energética comprometida afeta operações.&nbsp;Um fornecedor impossibilitado de produzir pode interromper outra empresa, mesmo localizada a centenas ou milhares de quilômetros dali.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O risco, portanto, não termina nos limites físicos de uma organização.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O risco que está fora da empresa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Ao avaliar seus riscos, uma empresa pode conhecer bem seus próprios ativos e operações, mas ainda assim desconhecer vulnerabilidades presentes em sua cadeia de valor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um fornecedor pode estar localizado em uma região sujeita a enchentes. Uma matéria-prima pode depender de uma única rota logística. Uma operação pode estar distante de uma área de risco, mas depender de uma infraestrutura que pode ser afetada por eventos extremos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que a análise de riscos ambientais e climáticos precisa considerar não apenas onde a empresa está, mas também de onde vêm seus recursos, produtos e serviços e quais estruturas são essenciais para que sua operação continue funcionando.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O papel das mudanças climáticas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O desastre no Himalaia também chama atenção para a relação entre mudanças climáticas e riscos em regiões de alta montanha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pesquisadores ainda investigam todos os fatores que levaram ao colapso da geleira. No entanto, especialistas apontam que o aumento das temperaturas pode contribuir para a instabilidade de gelo, rochas e permafrost em ambientes de alta montanha, aumentando a possibilidade de eventos como deslizamentos e colapsos glaciais. Isso não significa atribuir um evento isolado exclusivamente às mudanças climáticas, mas reconhecer que o aquecimento do planeta pode alterar as condições que favorecem determinados riscos.&nbsp;E esses riscos podem assumir diferentes formas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enchentes, secas, incêndios, ondas de calor, deslizamentos e mudanças na disponibilidade de água podem afetar infraestrutura, produção, logística, fornecedores e acesso a recursos essenciais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Da gestão ambiental à resiliência</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse contexto que a sustentabilidade passa a ter uma relação cada vez mais direta com a gestão de riscos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata apenas de reduzir os impactos ambientais causados pela própria empresa. Também é necessário compreender como as mudanças ambientais podem afetar a capacidade da organização de continuar operando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso exige perguntas como:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Quais ativos e operações estão expostos a riscos físicos?</li>



<li>Quais fornecedores são críticos para o negócio?</li>



<li>Existem alternativas caso uma rota logística seja interrompida?</li>



<li>Quais recursos naturais são essenciais para a operação?</li>



<li>Quanto tempo a empresa conseguiria operar diante de uma interrupção?</li>



<li>Quais medidas poderiam reduzir sua vulnerabilidade?</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A partir dessas respostas, a organização pode desenvolver estratégias de adaptação, diversificar fornecedores e rotas, fortalecer infraestruturas, aprimorar sistemas de monitoramento e estruturar planos de continuidade.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Preparar antes de reagir</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O caso do Nepal mostra, de forma extrema, como um evento ambiental pode rapidamente se transformar em uma crise social, de infraestrutura e econômica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as empresas, a principal reflexão não é tentar prever exatamente onde ocorrerá o próximo desastre.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É entender quais são suas vulnerabilidades antes que um evento extremo as transforme em uma interrupção real.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sustentabilidade, nesse cenário, também significa construir organizações mais preparadas para lidar com um ambiente em transformação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque resiliência não é apenas a capacidade de reagir depois que o risco acontece, é&nbsp;a capacidade de conhecê-lo, antecipá-lo e se preparar para ele.</p>



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<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Quando a chuva revela o problema: gestão de resíduos e resiliência urbana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 19:26:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cidades e Comunidades Sustentáveis]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Terrestre]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[gestão de resíduos]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma forte chuva atingiu diferentes regiões de São Paulo no dia 16 de agosto de 2026. Pouco depois, imagens de um grande volume de resíduos flutuando no Rio Pinheiros chamaram atenção nas redes sociais. A cena não é apenas um problema de poluição visual. Ela revela uma questão mais ampla: a gestão de resíduos sólidos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Uma forte chuva atingiu diferentes regiões de São Paulo no dia 16 de agosto de 2026. Pouco depois, imagens de um grande volume de resíduos flutuando no Rio Pinheiros chamaram atenção nas redes sociais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cena não é apenas um problema de poluição visual. Ela revela uma questão mais ampla: a gestão de resíduos sólidos também é parte da capacidade de uma cidade se preparar e responder a eventos climáticos extremos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a SP Águas, resíduos descartados irregularmente em vias públicas, bocas de lobo, córregos e outras áreas da bacia podem ser transportados pelo escoamento superficial e pelas redes de drenagem até os cursos d&#8217;água. Após chuvas intensas, esse processo pode aumentar significativamente a concentração de materiais flutuantes nos rios.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quando a chuva transforma um problema em outro</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O descarte inadequado de resíduos normalmente começa longe dos rios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma embalagem deixada na rua, um resíduo que não recebeu destinação adequada ou materiais acumulados em áreas urbanas podem ser carregados pela água durante uma chuva intensa. O que antes era um problema de limpeza urbana passa a afetar sistemas de drenagem, córregos, rios e, consequentemente, a qualidade ambiental. É nesse ponto que gestão de resíduos e adaptação climática se encontram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eventos extremos não necessariamente criam todos esses problemas. Muitas vezes, eles apenas tornam mais visíveis vulnerabilidades que já existiam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso do Rio Pinheiros, a SP Águas informa que mais de 147 mil toneladas de resíduos foram retiradas do rio desde janeiro de 2023. Somente nos quatro primeiros meses de 2026, foram mais de 16,2 mil toneladas, volume 19,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esses números mostram que o desafio não está apenas em retirar o resíduo depois que ele chega ao rio, mas em evitar que ele chegue até lá.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Resíduos também são um desafio climático</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando pensamos em adaptação às mudanças climáticas, é comum lembrar de obras de drenagem, sistemas de alerta, áreas verdes e infraestrutura urbana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas uma cidade resiliente depende de um conjunto muito maior de sistemas funcionando de maneira integrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O próprio Programa Cidades Verdes Resilientes, coordenado pelo Governo Federal, trata a gestão de resíduos urbanos como uma das temáticas relacionadas à qualidade ambiental e à resiliência das cidades diante dos impactos da mudança do clima. Entre as ações previstas estão a ampliação da coleta seletiva, o fortalecimento de unidades de triagem e compostagem e o aumento da recuperação de resíduos recicláveis e orgânicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso reforça uma mudança importante de perspectiva: gestão de resíduos não deve ser vista apenas como uma obrigação operacional ou ambiental. Ela também precisa fazer parte do planejamento de resiliência.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O papel das empresas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Embora a gestão urbana envolva responsabilidades do poder público, empresas também possuem um papel importante nesse sistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A geração de resíduos está diretamente relacionada às atividades produtivas, ao consumo, às embalagens, à logística e às cadeias de fornecedores. Por isso, estratégias como redução na geração, reutilização, reciclagem, logística reversa e destinação ambientalmente adequada são fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que cumprir requisitos legais, uma gestão estruturada permite que as organizações conheçam:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>quais resíduos são gerados;</li>



<li>em que quantidade;</li>



<li>quais são seus riscos ambientais;</li>



<li>como são armazenados e transportados;</li>



<li>qual é sua destinação final;</li>



<li>quais fornecedores participam desse processo;</li>



<li>e quais oportunidades existem para redução e reaproveitamento.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Essa visão também ajuda a empresa a reduzir desperdícios, melhorar processos e diminuir sua exposição a riscos ambientais e regulatórios.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Prevenir custa menos do que remediar</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A retirada de resíduos de rios é necessária, mas representa uma etapa posterior do problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando toneladas de materiais precisam ser retiradas de um curso d&#8217;água, existem custos envolvidos em equipamentos, mão de obra, transporte, tratamento e destinação. Além disso, permanecem os impactos sobre a qualidade da água, os ecossistemas e a infraestrutura urbana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, por exemplo, foram retiradas quase 44 mil toneladas de resíduos flutuantes do Rio Pinheiros, o maior volume registrado nos três anos anteriores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A lógica da sustentabilidade, portanto, precisa ir além da remediação. O objetivo não deve ser apenas retirar mais resíduos dos rios, mas impedir que eles cheguem até eles.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Uma cidade resiliente começa antes da chuva</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Eventos climáticos extremos tendem a colocar sistemas urbanos sob pressão. Quanto maior a intensidade da chuva, maior pode ser a capacidade de transporte de resíduos acumulados em ruas, córregos e sistemas de drenagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, preparar cidades e empresas para um cenário climático mais desafiador significa também fortalecer aquilo que muitas vezes parece básico: planejamento, prevenção, infraestrutura, monitoramento e gestão adequada dos resíduos. A resiliência não começa quando a água sobe, começa muito antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, uma gestão eficiente de resíduos deixa de ser apenas uma questão de limpeza urbana ou conformidade ambiental. Torna-se parte de uma estratégia mais ampla de proteção dos recursos naturais, redução de riscos e adaptação às mudanças climáticas.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">As imagens do Rio Pinheiros após a chuva servem como um alerta visual de um problema que vai muito além daquele momento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A água apenas revelou o caminho percorrido pelos resíduos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para construir cidades e negócios mais resilientes, é necessário olhar para esse caminho desde o início: como os resíduos são gerados, armazenados, coletados, transportados, tratados e destinados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, uma gestão de resíduos eficiente não deve se limitar ao cumprimento das obrigações legais. Diagnosticar a geração, estruturar processos, acompanhar indicadores e buscar alternativas para redução e destinação adequada são etapas importantes para transformar resíduos em uma questão de gestão ambiental estratégica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É justamente nessa perspectiva que iniciativas de gestão de resíduos podem contribuir para empresas que buscam maior controle ambiental, conformidade e eficiência em seus processos. Sustentabilidade não está apenas em limpar o que já foi poluído, está em criar sistemas capazes de evitar que o problema aconteça.</p>



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		<title>El Niño 2026: quando o risco climático chega às empresas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Vitor Russi]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 18:25:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ação Contra a Mudança Global do Clima]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Terrestre]]></category>
		<category><![CDATA[clima]]></category>
		<category><![CDATA[El Niño]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Risco climático]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">O El Niño voltou ao centro das atenções em 2026 e, desta vez, com sinais de que pode alcançar uma intensidade excepcional. Em sua atualização mais recente, divulgada em 13 de agosto, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Para o mesmo período, há 69% de probabilidade de que o fenômeno alcance níveis historicamente elevados. (NOAA – ENSO Diagnostic Discussion, 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cenário merece atenção não apenas pelos possíveis impactos sobre a agricultura, mas também pelos efeitos sobre recursos hídricos, ecossistemas, infraestrutura, energia, logística e cadeias de suprimentos. Para as empresas, o fenômeno reforça uma tendência importante: eventos climáticos precisam ser tratados também como riscos para a continuidade e a resiliência dos negócios.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Um fenômeno, diferentes impactos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial, alterando padrões de circulação atmosférica, temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, seus efeitos não são uniformes. As projeções atuais indicam maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul, enquanto partes do Norte e Nordeste podem enfrentar condições mais quentes e secas. Essas projeções representam tendências e probabilidades, e não determinam exatamente o clima de cada localidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa diferença regional é justamente um dos pontos de atenção: enquanto algumas regiões podem lidar com excesso de água, outras podem enfrentar escassez e maior estresse ambiental.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Os principais riscos ambientais</strong></h2>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Estresse hídrico e redução dos níveis dos rios</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A alteração da disponibilidade de água está entre os principais riscos associados ao fenômeno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Amazônia, a combinação entre El Niño, temperaturas elevadas e menor precipitação pode contribuir para a redução dos níveis dos rios. Isso afeta não apenas o transporte e o abastecimento, mas também ecossistemas aquáticos e comunidades que dependem dos rios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os ecossistemas, a redução da disponibilidade hídrica pode aumentar o estresse sobre habitats e espécies e ampliar a vulnerabilidade de áreas naturais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Maior risco de incêndios</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Temperaturas elevadas combinadas à baixa umidade e ao déficit de precipitação também aumentam a vulnerabilidade a incêndios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na Amazônia, estudos sobre o período de seca associado ao El Niño de 2023–2024 identificaram aumento de áreas queimadas e de alertas de degradação florestal, evidenciando como períodos de estresse climático podem agravar a pressão sobre ecossistemas já vulneráveis (FAPESP – Longer droughts and changes in rainfall are already occurring in the Amazon, 2026).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora os impactos de 2026 ainda não possam ser determinados, o cenário reforça a necessidade de monitoramento e prevenção.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Chuvas intensas, enchentes e erosão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">No Sul do Brasil, o cenário tende a ser diferente. A maior probabilidade de precipitação acima da média pode favorecer episódios de chuvas intensas, aumentando os riscos de enchentes, erosão, assoreamento, deslizamentos e danos à infraestrutura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O excesso de água também pode favorecer o transporte de sedimentos e contaminantes para corpos hídricos, ampliando os impactos ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, um mesmo fenômeno climático pode gerar riscos ambientais opostos em diferentes regiões.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Quando o risco climático chega às empresas</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Os impactos do El Niño não precisam ocorrer diretamente dentro de uma empresa para gerar consequências econômicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma organização pode depender de fornecedores, rodovias, hidrovias, energia ou recursos naturais localizados em regiões vulneráveis. A Reuters destaca, por exemplo, o risco de níveis mais baixos dos rios amazônicos afetarem o transporte, enquanto chuvas excessivas no Sul podem prejudicar estradas e infraestrutura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cadeia de impactos pode ser resumida em:</p>



<p class="wp-block-paragraph">evento climático → impacto ambiental → interrupção operacional → aumento de custos → risco financeiro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Recursos hídricos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Para empresas que dependem de água em seus processos produtivos, alterações na disponibilidade hídrica podem afetar captação, produção, resfriamento, limpeza e outros processos industriais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também podem surgir restrições de captação, mudanças na qualidade da água, maior competição pelo recurso e necessidade de fontes alternativas de abastecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, conhecer a disponibilidade e a vulnerabilidade dos recursos hídricos de uma região é parte importante da gestão de riscos ambientais e operacionais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Energia</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O setor energético também pode ser afetado pelas alterações no regime de chuvas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em regiões onde a geração hidrelétrica possui papel relevante, mudanças na disponibilidade de água podem alterar as condições de geração. Ao mesmo tempo, diferentes regiões podem apresentar efeitos distintos em função da distribuição das chuvas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para as empresas, isso reforça a importância de avaliar a dependência energética e a vulnerabilidade das operações a eventos climáticos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Infraestrutura e continuidade operacional</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Instalações industriais, sistemas de drenagem, estradas, pontes, portos e estruturas de armazenamento também estão expostos aos eventos extremos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chuvas intensas podem provocar alagamentos e danos físicos, enquanto períodos de seca podem comprometer o abastecimento de água e a navegabilidade de rios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, a questão climática deixa de ser apenas ambiental e passa a fazer parte da gestão da continuidade dos negócios.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O risco também está na cadeia de valor</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A exposição climática não termina nos limites físicos da empresa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fornecedores podem estar localizados em regiões sujeitas a seca ou chuvas excessivas, enquanto transportadoras podem depender de rodovias ou hidrovias vulneráveis. Clientes também podem sofrer impactos que alterem sua demanda ou capacidade de operação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, avaliar riscos climáticos apenas dentro das instalações próprias pode gerar uma visão incompleta da vulnerabilidade empresarial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma avaliação mais abrangente deve considerar operações, fornecedores, infraestrutura, recursos naturais e regiões estratégicas da cadeia de valor.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Do monitoramento climático à gestão de riscos</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O fortalecimento do El Niño não significa que todas as empresas sofrerão os mesmos impactos. Significa que as organizações podem começar a avaliar onde estão expostas e quais medidas podem reduzir sua vulnerabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas questões são estratégicas:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Quais processos dependem diretamente de recursos hídricos?</li>



<li>Quais unidades estão expostas a secas, enchentes ou incêndios?</li>



<li>Quais fornecedores e rotas logísticas estão em regiões vulneráveis?</li>



<li>Quais impactos ambientais podem ocorrer durante eventos extremos?</li>



<li>Existem planos de contingência e adaptação?</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Transformar essas informações em planos de ação permite que o monitoramento climático deixe de ser apenas acompanhamento de previsões e passe a fazer parte da gestão de riscos empresariais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Preparação é parte da resiliência empresarial</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">O El Niño de 2026 ainda representa um cenário de probabilidades, e seus impactos regionais podem variar ao longo dos próximos meses. Entretanto, o fortalecimento das projeções é suficiente para justificar uma postura preventiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que tentar prever exatamente onde ocorrerá cada evento extremo, as empresas podem trabalhar na identificação de suas vulnerabilidades, na avaliação dos recursos dos quais dependem e na definição de medidas de adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Monitorar o clima é apenas o primeiro passo. Transformar essa informação em gestão de riscos é o que permite aumentar a resiliência dos negócios.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como a biO3 pode apoiar sua empresa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A biO3 atua na integração entre meio ambiente, sustentabilidade e gestão empresarial, com soluções relacionadas a gestão de riscos, recursos hídricos, biodiversidade, cadeia de suprimentos e indicadores de sustentabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse contexto, eventos como o El Niño podem ser incorporados à avaliação ambiental e estratégica das organizações, permitindo identificar vulnerabilidades, compreender possíveis impactos e estruturar medidas de prevenção e adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antecipar riscos ambientais é também uma forma de proteger operações, recursos e o futuro dos negócios.</p>
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