PURE: O papel estratégico das certificações ISCC CORSIA e RSB CORSIA na aviação sustentável

Da matéria-prima ao avião, a sustentabilidade precisa ser comprovada

Descarbonizar a aviação é um dos grandes desafios da transição energética. Unlike other sectors, a eletrificação de aeronaves comerciais de médio e longo alcance ainda enfrenta limitações tecnológicas e operacionais. That is why, os Sustainable Aviation Fuels (PURE), ou Combustíveis Sustentáveis de Aviação, ganharam espaço como uma das principais alternativas para reduzir as emissões do setor.

Mas produzir um combustível a partir de uma fonte renovável não significa, by itself, que ele seja sustentável.

É necessário comprovar a origem da matéria-prima, rastrear sua cadeia de fornecimento e demonstrar o desempenho ambiental do combustível. É nesse contexto que entram as certificações ISCC CORSIA e RSB ICAO CORSIA.

O que é CORSIA?

O Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation (LANE) é o mecanismo criado pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) para contribuir com a redução das emissões da aviação internacional.

Dentro do sistema, combustíveis considerados elegíveis podem contribuir para a redução das emissões atribuídas às companhias aéreas, desde que atendam a critérios específicos de sustentabilidade e sejam devidamente certificados.

Para o SAF, isso significa que não basta ser um combustível renovável: é necessário demonstrar sua origem, rastreabilidade e redução de emissões ao longo do ciclo de vida.

Por que a certificação é necessária?

Imagine uma cadeia que começa no campo ou na coleta de um resíduo e termina no abastecimento de uma aeronave:

matéria-prima → processamento → produção do SAF → distribuição → companhia aérea

Ao longo desse caminho, diferentes empresas podem participar da cadeia. Sem um sistema de verificação, seria difícil garantir que o combustível comercializado realmente possui os atributos ambientais declarados.

As certificações funcionam justamente como uma estrutura de confiança. Auditorias independentes verificam informações sobre origem, volumes, movimentação dos materiais, processos produtivos e características de sustentabilidade.

No âmbito do CORSIA, ISCC CORSIA e RSB ICAO CORSIA são esquemas reconhecidos para demonstrar a conformidade dos combustíveis com os requisitos de sustentabilidade aplicáveis.

ISCC CORSIA

O ISCC CORSIA foi desenvolvido para certificar cadeias de fornecimento de combustíveis elegíveis ao CORSIA, abrangendo requisitos relacionados à sustentabilidade, rastreabilidade e emissões de gases de efeito estufa.

O sistema contempla diferentes matérias-primas, incluindo resíduos, subprodutos e determinadas matérias-primas agrícolas. A documentação do ISCC, for example, contempla possibilidades como cana-de-açúcar, agricultural waste, óleo de cozinha usado e resíduos florestais.

Um dos elementos centrais é a cadeia de custódia, que permite acompanhar a movimentação dos materiais e controlar os atributos de sustentabilidade ao longo da cadeia.

O ISCC também utiliza o conceito de balanço de massa, permitindo que materiais certificados e não certificados sejam processados dentro de determinados sistemas, desde que os volumes e atributos correspondentes sejam devidamente contabilizados e auditados.

RSB ICAO CORSIA

O RSB ICAO CORSIA possui o mesmo objetivo de permitir a certificação de combustíveis elegíveis ao CORSIA, mas utiliza a estrutura de princípios e critérios de sustentabilidade desenvolvida pelo Roundtable on Sustainable Biomaterials (RSB).

Além das questões relacionadas às emissões e à rastreabilidade, a abordagem do RSB contempla aspectos ambientais e sociais mais amplos, como uso da terra, conservação, labor rights, direitos humanos e segurança alimentar, conforme aplicável à cadeia certificada.

O padrão também reconhece diferentes modelos de cadeia de custódia, incluindo segregação e balanço de massa, permitindo rastrear os atributos de sustentabilidade desde a origem até os pontos seguintes da cadeia.

ISCC CORSIA ou RSB CORSIA?

As duas certificações possuem o mesmo objetivo central dentro do CORSIA, mas apresentam diferenças na estrutura e nos critérios utilizados.

A escolha pode depender da matéria-prima, do processo produtivo, dos mercados atendidos, das exigências dos compradores e da estratégia de sustentabilidade da empresa.

No caso do ISCC, existe ainda o ISCC CORSIA PLUS, que amplia determinados requisitos relacionados à produção de biomassa e incorpora critérios ambientais, sociais e econômicos adicionais.

Thus, a escolha da certificação não deve ser tratada simplesmente como uma decisão entre dois selos. É uma decisão relacionada à estratégia da cadeia de fornecimento e aos mercados que a empresa pretende acessar.

E as emissões?

Outro ponto fundamental é a avaliação do ciclo de vida (LCA).

A sustentabilidade climática do SAF não determina-se apenas pelas emissões durante a queima. Consideram-se diferentes etapas da cadeia, desde a obtenção da matéria-prima até a produção e utilização do combustível.

O CORSIA estabelece uma linha de base de 89 gCO₂e/MJ para o combustível de aviação convencional e exige que os combustíveis elegíveis atendam aos critérios de redução de emissões estabelecidos pelo mecanismo.

That is why, dois combustíveis classificados como SAF podem apresentar intensidades de carbono bastante diferentes, dependendo da matéria-prima, do processo industrial, do consumo energético e da logística.

Uma oportunidade para o Brasil e para cadeias mais sustentáveis

O desenvolvimento do mercado de SAF representa uma oportunidade relevante para o Brasil. A combinação de produção agrícola, disponibilidade de biomassa e resíduos, experiência em biocombustíveis e infraestrutura industrial cria condições favoráveis para que o país participe da expansão desse mercado.

Mas transformar essa vantagem em competitividade internacional exige mais do que capacidade de produção. É necessário construir cadeias capazes de rastrear matérias-primas, quantificar emissões e comprovar atributos de sustentabilidade.

Um exemplo dessa movimentação é a certificação ISCC CORSIA obtida pela Petrobras para a Refinaria de Duque de Caxias (REDUC), relacionada ao coprocessamento de óleos vegetais refinados para produção de SAF.

O caso demonstra como a certificação começa a fazer parte da própria estruturação desse mercado. in the end, o crescimento do SAF dependerá de tecnologia, escala e competitividade, mas também de confiança. Companhias aéreas, producers, fornecedores e investidores precisam ter segurança de que os atributos ambientais associados ao combustível podem ser comprovados.

In this case, certificações como ISCC CORSIA e RSB ICAO CORSIA deixam de ser apenas instrumentos de conformidade e passam a funcionar como uma infraestrutura de confiança, conectando produção sustentável, traceability, redução de emissões e acesso a mercados internacionais.

Para as empresas que pretendem participar dessa cadeia, estar preparado significa compreender requisitos, structure processes, organizar evidências e garantir que as informações ambientais possam ser verificadas.

É nesse processo que a biO3 pode contribuir, apoiando empresas na estruturação de estratégias de sustentabilidade, traceability, gestão ambiental e preparação para certificações, transformando requisitos ambientais em processos estruturados e oportunidades de negócio.

For Brazil, o desafio é transformar sua vantagem em biomassa e biocombustíveis em uma cadeia de SAF competitiva e reconhecida globalmente.

No futuro da aviação sustentável, não bastará produzir um combustível renovável. Será necessário provar sua sustentabilidade do campo à asa.

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